As penas que o protegem do frio;
As bicadas que lhe afiam o bico;
As migalhas que lhe saciam a fome;
Os telhados que lhe dão abrigo;
Que vida tão simples...tão simples...
Mas tão LIVRE e tão FELIZ!

Poema dedicado ao 1º Maio
São velhos...criânças...homens...mulheres...
Vidas amargas de dor
Infelizes e lutadores em vão
Almas perdidas sem cor
Úteis por certo, enquando o são...
Saco de encher dos emproados
Algibeiras vazias...sem fundo
Olhos cansados e abandonados
Na terra nascido e fecundo
Lábios que falam e não mentem
Mãos que trabalham e se perdem
Corações que sentem e não lamentem
Vidas difíceis...se acordem.
Porque padecem afinal os mais fracos?
Quem são os que tanto sofrem?
São as gentes da minha terra!
São fazedores da lei...da lei que lhes convêm;
São ministros do pacote...do pacote e do capote;
São ricos e poderosos...poderosos e ociosos;
São escória emproada...emproada e falhada;
São vilões da sociedade...da sociedade perdida;
São balelas que dizem...mas que o povo não ri;
São risotas de escárnio...de escárnio e mal-fazer;
São padrinhos uns dos outros...de outros e mais alguns;
São finórios requintados...requintados e letrados;
São senhores de classe...classe de quê?
Mas porque nos iludem?
E quem são estes que tudo podem?
São os hipócritas da minha terra!
Autoria: Paula Chorão